Especial- Óleos Essenciais

 

Óleos essenciais estão muito ligados às plantas e ervas medicinais. Esse conceito surgiu há mais de 200 anos . Desde 1981 o laboratório NEALS Yard Remedies comercializa óleos puros e naturais. A procedência na hora de adquirir os óleos também é importante, pois o efeito de um óleo puro e realmente natural são bem diferentes. Os óleos puros são tão concentrados que para serem usados precisamos de um óleo base.

E olha só que interessante: acredita-se que os compostos aromáticos dos óleos essenciais ajudam a planta a sobreviver, repelindo insetinhos indesejáveis, assim como fornecendo à ela também todos os benefícios que eles têm. Se fazem bem para nós, algum efeito tem que ter para as produtoras deles, certo? Talvez eles sejam como nossos hormônios nos fortalecendo e ajudando em nossas funções vitais. E todas as plantas possuem óleos essenciais e podem ser extraídos de  diversas partes dependendo da planta: dos galhos, folhas, flores. Das frutas cítricas extraímos o óleo da casca. Temos a falsa impressão de que todos os óleos são extraídos das flores, mas não. Muitas árvores também exalam seu perfume nas cascas do tronco, mas é uma percepção que ainda não é inserida em nossa rotina. Associamos os aromas muito às flores, mas é uma surpresa descobrir que qualquer parte de uma planta pode-se extrair o óleo.

Hoje temos por volta de 150 óleos essenciais que são comercializados e usados de forma caseira, em indústrias de cosméticos, farmácias de manipulação e até em empresas farmacêuticas.

Dentre ervas e plantas que oferecem óleos essenciais e que produzimos aqui dentro da Fazenda temos o OE de hortelã, o de gengibre , o de manjericão que é antissépticoe  regula hormônios, o de rosas (assim como a cânfora) que é regenerador de células, revigorante (pois diminuía a taxa de adrenalina) e anti-inflamatório.

Camomila que é antidepressivo, pois aumenta o bem-estar e humor. As lavandas, rosas e gerânios ajudam o corpo a processar o estresse ao recarregar as glândulas adrenais.

E o OE de Alecrim? “Alecrim, alecrim dourado que nasceu no mato e foi semeado……” para nós além de uma boa revigorada ele ajuda na concentração e foco. Por isso que uma boa “fungada” num mação de alecrim causa um bem-estar dos Deuses. Você já fez isso? Nossa, recomendo!!!!

OE de Pimenta do Reino ajuda os fumantes contra o vício, o de tomilho alivia dores, o de sálvia fortalece a imunidade. Não é incrível? Não é à toa que as ervas são tão aromáticas e saborosas, acho que toda essa potência “holística (tratar corpo, mente e espírito)” são transmitidas pelo sabor também! Por isso que as preparações ficam tão mais especiais quando usamos as ervas, pois elas mexem com nossos sentidos como um todo.

OE de jasmim e rosa são óleos de maior longevidade dentre todos os óleos e podem permanecer inalterados por até 5 anos.

Uma confusão muito comum é como é feita a extração dos óleos . é interessante sabermos para entender o porque do seu real valor de mercado. Algumas plantas dão um trabalho danado para a extração. Existem 4 formas de extração que vai variar da espécies e planta:

– Destilação por vapor, que é o mais usado.

-Prensagem (usado para a extração das frutas cítricas, quando prensamos a casca das frutas)

-Extração absoluta (produção do óleo de flores muito delicadas)

-Extração com CO2 (o óleo fica mais concentrado)

“A Essência de uma planta está presente no óleo essencial puro”, por isso reafirmo aqui a importância de você checar a autenticidade do óleo. Prefira sempre o óleo essencial orgânico. Os valores variam de óleo para óleo. Por exemplo: Para 1 kg de OE de  nelóri, precisamos de 1 tonelada de flores de laranja, ao mesmo tempo que com 1 tonelada de cravo da índia eu consigo 200 kg de OE, por isso ser mais barato. O rendimento numa planta varia entre 0,1% a 25 % a proporção do OE.

Outros cuidados. Ao armazenar óleo essencial em casa usar sempre frascos de vidro escuros e   (os de plástico podem contaminar o OE) e cuidado, pois são inflamáveis. Os óleos considerados base duram menos que os OE puros. Se atentar para a validade também é importante. Vale ressaltar que o OE puro pode causar irritações em mucosas, por isso respeitar as proporções indicadas nos rótulos.

Vamos aproveitar os benefícios das plantas na íntegra.

É isso. Qualquer dúvida é só escrever para nós. (deborah@fazendamaria.com.br)

Bjos

Deborah Gaiotto

PANCS

Plantas Alimentícias Não Convencionais. Ouvimos falar tanto nessa nomenclatura, mas nem sempre é realmente compreendida como deveria. O termo PANC surgiu só em 2007 e diz respeito àquelas plantas que não imaginamos que podemos comer, como as folhas do Hibisco, às flores tidas apenas como ornamentais como as Camélias e Ypês e aos famosos matos que são considerados plantas daninhas para a produção convencional agrícola, e que para produtores orgânicos significam muito mais que isso. Dentre esses matos citamos as beldroegas, trevos, serralha, o caruru. E quando digo que significam muito mais que isso quero dizer que o crescimento espontâneo (sim, a maioria das Pancs é de crescimento espontâneo) significa baixo custo na produção de algo que tem muitas vitaminas e ainda pode ser misturado às preparações, ou então pode caracterizar deficiência ou excesso de nutrientes no solo ou simplesmente ajuda numa adubação verde natural durante o pousio dos canteiros.

As ervas aromáticas não são Pancs, mas suas flores são consideradas, pois não se tem o hábito de consumí-las. Assim como a flor da mostarda e a da rúcula, embora a rúcula e a mostarda não sejam.

Estima-se que existam no mundo  mais de 300 000 espécies de plantas com partes de comer, mas 90% da alimentação do mundo tem como base apenas 20 espécies. Nos últimos 10 anos , os transgênicos ocupam mais de 90 % da produção agrícola mundial, uma estatística que chega a ser desanimadora , mas nós como produtores lutamos por levar informação e conscientização aos consumidores.

O Brasil é muito rico em biodiversidade, chegamos a ter 25% da biodiversidade total do mundo. Mas isso é pouquíssimo explorado, pois ainda importamos muitas coisas que poderiam ser cultivadas e consumidas aqui. Um exemplo que costumo citar em minhas palestras são as geleias. Temos muito frutos amazônicos que poderiam dar geleias deliciosas e extremamente comercializáveis, como o cupuaçu, o umbu, o pequi. Temos também algumas espécies de maracujás espontâneos que poderiam ser usados como farinha para algumas preparações e compotas através do mesocarpo.

O Brasil possui 3 000 espécies catalogadas com potencial alimentício, quando na verdade não utilizamos sequer 1/3 dessa quantidade.

Por isso continuo batendo na tecla da Oferta e Procura, se pararmos para analisar há 5 anos atrás não encontrávamos nem ¼ de produtos orgânicos nas gôndolas e graças a procura maior e constante a oferta também aumentou.

Sei que temos muitos empecilhos como falta de incentivo, falta de informação dos rurais,  e existe também o receio e medo de produtores em saber a real aceitação no mercado desses nativos. Temos um longo caminho a percorrer, o trabalho é de formiga, mas até onde puder estaremos lutando por essa mudança. Contamos com a ajuda de cada um aqui.

Um abraço

 

Multiplicando Espécies

Aqui na Fazenda temos algumas formas de multiplicar espécies mais delicadas e com sementes difíceis de se encontrar no mercado brasileiro.

O método mais lindo e mais prazeroso é quando esperamos as espécies se polinizarem e gerarem os seus frutos. Aqui na empresa temos muitos fatores que nos proporcionam essa dádiva da natureza.

Primeiro que nossa produção é orgânica e por natureza isso já atrai muitos  polinizadores, principalmente as abelhinhas. Aqui temos muitas!!! Pássaros, grilos, joaninhas, borboletas, o vento…… Numa produção convencional esse processo de polinização praticamente não acontece, pois os pesticidas e químicos acabam espantando esses bichinhos que são fundamentais no ecossistema.

Como a natureza vive em harmonia, a chance do ciclo botânico  finalizar é muito grande. Por isso conseguimos colher as sementes (que são os frutos) de flores, ervas e até de alfaces.

E essas sementes são ainda mais propensas à germinação, uma vez que foram geradas de plantas que “deram certo” no bioma local e a chance de vingarem é muito maior.

Outra forma de multiplicar é a estarquia, que é quando colhemos um ramo ou folha da planta para enraizarmos na água e depois passarmos para a terra já com a raiz formada.

E tem também um outro  processo que é a Alporquia, um pouco menos utilizado aqui mas necessário algumas vezes.