Especial- Óleos Essenciais

 

Óleos essenciais estão muito ligados às plantas e ervas medicinais. Esse conceito surgiu há mais de 200 anos . Desde 1981 o laboratório NEALS Yard Remedies comercializa óleos puros e naturais. A procedência na hora de adquirir os óleos também é importante, pois o efeito de um óleo puro e realmente natural são bem diferentes. Os óleos puros são tão concentrados que para serem usados precisamos de um óleo base.

E olha só que interessante: acredita-se que os compostos aromáticos dos óleos essenciais ajudam a planta a sobreviver, repelindo insetinhos indesejáveis, assim como fornecendo à ela também todos os benefícios que eles têm. Se fazem bem para nós, algum efeito tem que ter para as produtoras deles, certo? Talvez eles sejam como nossos hormônios nos fortalecendo e ajudando em nossas funções vitais. E todas as plantas possuem óleos essenciais e podem ser extraídos de  diversas partes dependendo da planta: dos galhos, folhas, flores. Das frutas cítricas extraímos o óleo da casca. Temos a falsa impressão de que todos os óleos são extraídos das flores, mas não. Muitas árvores também exalam seu perfume nas cascas do tronco, mas é uma percepção que ainda não é inserida em nossa rotina. Associamos os aromas muito às flores, mas é uma surpresa descobrir que qualquer parte de uma planta pode-se extrair o óleo.

Hoje temos por volta de 150 óleos essenciais que são comercializados e usados de forma caseira, em indústrias de cosméticos, farmácias de manipulação e até em empresas farmacêuticas.

Dentre ervas e plantas que oferecem óleos essenciais e que produzimos aqui dentro da Fazenda temos o OE de hortelã, o de gengibre , o de manjericão que é antissépticoe  regula hormônios, o de rosas (assim como a cânfora) que é regenerador de células, revigorante (pois diminuía a taxa de adrenalina) e anti-inflamatório.

Camomila que é antidepressivo, pois aumenta o bem-estar e humor. As lavandas, rosas e gerânios ajudam o corpo a processar o estresse ao recarregar as glândulas adrenais.

E o OE de Alecrim? “Alecrim, alecrim dourado que nasceu no mato e foi semeado……” para nós além de uma boa revigorada ele ajuda na concentração e foco. Por isso que uma boa “fungada” num mação de alecrim causa um bem-estar dos Deuses. Você já fez isso? Nossa, recomendo!!!!

OE de Pimenta do Reino ajuda os fumantes contra o vício, o de tomilho alivia dores, o de sálvia fortalece a imunidade. Não é incrível? Não é à toa que as ervas são tão aromáticas e saborosas, acho que toda essa potência “holística (tratar corpo, mente e espírito)” são transmitidas pelo sabor também! Por isso que as preparações ficam tão mais especiais quando usamos as ervas, pois elas mexem com nossos sentidos como um todo.

OE de jasmim e rosa são óleos de maior longevidade dentre todos os óleos e podem permanecer inalterados por até 5 anos.

Uma confusão muito comum é como é feita a extração dos óleos . é interessante sabermos para entender o porque do seu real valor de mercado. Algumas plantas dão um trabalho danado para a extração. Existem 4 formas de extração que vai variar da espécies e planta:

– Destilação por vapor, que é o mais usado.

-Prensagem (usado para a extração das frutas cítricas, quando prensamos a casca das frutas)

-Extração absoluta (produção do óleo de flores muito delicadas)

-Extração com CO2 (o óleo fica mais concentrado)

“A Essência de uma planta está presente no óleo essencial puro”, por isso reafirmo aqui a importância de você checar a autenticidade do óleo. Prefira sempre o óleo essencial orgânico. Os valores variam de óleo para óleo. Por exemplo: Para 1 kg de OE de  nelóri, precisamos de 1 tonelada de flores de laranja, ao mesmo tempo que com 1 tonelada de cravo da índia eu consigo 200 kg de OE, por isso ser mais barato. O rendimento numa planta varia entre 0,1% a 25 % a proporção do OE.

Outros cuidados. Ao armazenar óleo essencial em casa usar sempre frascos de vidro escuros e   (os de plástico podem contaminar o OE) e cuidado, pois são inflamáveis. Os óleos considerados base duram menos que os OE puros. Se atentar para a validade também é importante. Vale ressaltar que o OE puro pode causar irritações em mucosas, por isso respeitar as proporções indicadas nos rótulos.

Vamos aproveitar os benefícios das plantas na íntegra.

É isso. Qualquer dúvida é só escrever para nós. (deborah@fazendamaria.com.br)

Bjos

Deborah Gaiotto

Falando da PL do Veneno

 

 

Falar de agrotóxico para um produtor orgânico é como ouvir um desafino numa ópera. Dói, e dói muito. Nós somos como médicos, estamos lá na terra todo dia, olhando, observando e entendendo como aquele processo de simbiose funciona. Acho que ninguém entende melhor de um assunto quando se está lá observando diariamente, constantemente e não precisa de uma grande faculdade ou um doutorado para entender o que a Mãe Terra tem a nos dizer.

Produzir organicamente, de forma sustentável não significa apenas não colocar agrotóxico nas plantações, significa PRESERVAR nosso ecossistema, nossa fauna, flora. E uma constatação triste é que seria utopia acreditar numa produção 100% orgânica, na verdade nós mitigamos uma situação, pois desde o surgimento do agrotóxico na Primeira Guerra Mundial (com as indústrias químicas) nosso solo e lençol freático já se contaminou ao longo de quase um século de uso desses venenos químicos. E pensar que comer uma verdura ou cenoura hoje pode não ser mais tão saudável assim se não souber a procedência. Por isso é hora de aumentar cada vez mais a procura para a oferta também crescer.

Produzir orgânicos é respeitar a saúde de quem está comendo e de quem está lá colocando a mão na terra, é pensar que o produtor orgânico não está ingerindo veneno gratuitamente sem direito de escolha. É se usar dos princípios mais inteligentes que surgiu há mais de milhões de anos, que é a inteligência da Natureza. Ela está aí para nos ensinar (e sem cobrar nada!) como cuidar do nosso Planeta. Afinal somos uma simbiose (natureza, humano).

Agora vem a “PL do veneno” querendo nos tirar ganhos mínimos alcançados. Nós que somos um dos países com o maior índice de uso de pesticidas corremos o risco de piorar nossa segurança alimentar. MAS O QUE É ISSO ? Vou explicar de forme breve e simples.

Esse projeto prevê uma mudança na lei de 1989. Dentre os pontos a serem mudados, sem muitas explicações, as palavras por si só já nos dizem o que a bancada ruralista quer:

-mudar o nome de “agrotóxico” para “defensivo fitossanitário”

-centralizar o registro dos agrotóxicos nas mãos do “Ministério da Agricultura” mudando então o atual modelo que está sob “vigia”  da Anvisa e do Ibama.

-Tirar de fora questões como quantidade usada, local aplicado e o modo como usar o produto. Se realmente fossem usados com parcimônia, talvez reduziríamos algum mal…. mas nem isso…..

-Mudar a análise dos agrotóxicos proibindo apenas substâncias com “riscos inaceitáveis”

Precisamos dizer sobre teor político nesses itens? Essa “flexibilização” pode fazer com que o uso de agrotóxico aumente desenfreadamente. Um risco à nossa saúde, ao nosso ambiente, ao Planeta. Venho aqui dizer que produzir de forma orgânica é hábito, assim como começar uma dieta. No início estranhamos, mas com o decorrer do processo tudo se encaixa e a produção flui como qualquer outra. O que temos é interesse político e capitalista, falta de informação, incentivo baixo do governo, medo dos produtores de não conseguirem desovar sua produção e…… esses itens todos já passaram por uma Comissão Especial e agora pode ser aprovado no Plenário da Câmara.

Por isso grandes nomes como Bela Gil estão fazendo barulho para não deixar passar. Nós produtores também! Precisamos pensar em nossa saúde, pois comer saudavelmente é comer de forma sustentável e não simplesmente se alimentar de frutas e legumes, que repito, podem ser muito mais tóxicos do que as reais vitaminas que você procura.

Por isso não se pode calar. Procure pelo saudável de verdade. Já é um ótimo começo.

Abraços

PANCS

Plantas Alimentícias Não Convencionais. Ouvimos falar tanto nessa nomenclatura, mas nem sempre é realmente compreendida como deveria. O termo PANC surgiu só em 2007 e diz respeito àquelas plantas que não imaginamos que podemos comer, como as folhas do Hibisco, às flores tidas apenas como ornamentais como as Camélias e Ypês e aos famosos matos que são considerados plantas daninhas para a produção convencional agrícola, e que para produtores orgânicos significam muito mais que isso. Dentre esses matos citamos as beldroegas, trevos, serralha, o caruru. E quando digo que significam muito mais que isso quero dizer que o crescimento espontâneo (sim, a maioria das Pancs é de crescimento espontâneo) significa baixo custo na produção de algo que tem muitas vitaminas e ainda pode ser misturado às preparações, ou então pode caracterizar deficiência ou excesso de nutrientes no solo ou simplesmente ajuda numa adubação verde natural durante o pousio dos canteiros.

As ervas aromáticas não são Pancs, mas suas flores são consideradas, pois não se tem o hábito de consumí-las. Assim como a flor da mostarda e a da rúcula, embora a rúcula e a mostarda não sejam.

Estima-se que existam no mundo  mais de 300 000 espécies de plantas com partes de comer, mas 90% da alimentação do mundo tem como base apenas 20 espécies. Nos últimos 10 anos , os transgênicos ocupam mais de 90 % da produção agrícola mundial, uma estatística que chega a ser desanimadora , mas nós como produtores lutamos por levar informação e conscientização aos consumidores.

O Brasil é muito rico em biodiversidade, chegamos a ter 25% da biodiversidade total do mundo. Mas isso é pouquíssimo explorado, pois ainda importamos muitas coisas que poderiam ser cultivadas e consumidas aqui. Um exemplo que costumo citar em minhas palestras são as geleias. Temos muito frutos amazônicos que poderiam dar geleias deliciosas e extremamente comercializáveis, como o cupuaçu, o umbu, o pequi. Temos também algumas espécies de maracujás espontâneos que poderiam ser usados como farinha para algumas preparações e compotas através do mesocarpo.

O Brasil possui 3 000 espécies catalogadas com potencial alimentício, quando na verdade não utilizamos sequer 1/3 dessa quantidade.

Por isso continuo batendo na tecla da Oferta e Procura, se pararmos para analisar há 5 anos atrás não encontrávamos nem ¼ de produtos orgânicos nas gôndolas e graças a procura maior e constante a oferta também aumentou.

Sei que temos muitos empecilhos como falta de incentivo, falta de informação dos rurais,  e existe também o receio e medo de produtores em saber a real aceitação no mercado desses nativos. Temos um longo caminho a percorrer, o trabalho é de formiga, mas até onde puder estaremos lutando por essa mudança. Contamos com a ajuda de cada um aqui.

Um abraço

 

Vamos plantar orquídeas em árvores?

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Você já pensou em amarrar em uma árvore aquela orquídea que está lutando para sobreviver na sua casa?  Na natureza a maioria das orquídeas vivem grudadas em troncos de árvores, o vaso é apenas uma solução para trazermos elas para nosso convívio diário.   Dentro dos vasos suas raízes não tem espaço suficiente para crescerem e o ambiente de casa pode estar prejudicando seu desenvolvimento. Por isso muitas vezes temos orquídeas que nunca mais floriram ou que vivem com pragas e doenças. Nas árvores elas tem espaço, acesso aos nutrientes necessários e a cadeia alimentar se encarrega de minimizar a força das pragas.   É importante lembrar que elas não são parasitas, a árvore é na verdade apenas um suporte para ela. Suas raízes fixam-se nos troncos e então a orquídea retira do ar, da chuva e da matéria orgânica acumulada no entorno das raízes os nutrientes necessários.

Dentre as espécies de orquídeas existentes as mais indicadas para amarrar nas árvores são as oncidiums,  dendrobiuns, laelias, catleyas, miltônias e gomesas. Abaixo vou colocar algumas imagens para facilitar a identificação básica.

Após ter sua espécie em mãos você deve escolher uma árvore que:

-tenha troncos de casca rugosa;

-permita a entrada de luminosidade; principalmente do sol da manhã;

– perca as folhas no inverno e tenha farta folhagem no verão

–  nunca soltem cascas.

Assim, algumas das árvores indicadas são:

Cedro de casca rugosa

Jacarandá mimoso

Limoeiro

Suinã

Abacateiro

Flamboian

Dentre as árvores não indicadas posso citar o eucalipto, a goiabeira, o pau-ferro e o pinheiro. Mas lembre-se que isto não deve ser um impeditivo para que você coloque seu plano em ação: são espécies não recomendadas, mas não significa necessariamente que sua orquídea não se desenvolverá.

Para amarrar sua orquídea você irá precisar de um barbante ou até mesmo uma meia de seda (evite o plástico, materiais sintéticos ou muito duros como arame pois podem prejudicar o desenvolvimento) e fibra de coco. Aguarde o momento em que ela estiver já sem flor. Retire a muda do vaso, limpe e lave bem suas raízes com muito cuidado. Acomode a orquídea na árvore, cubra as raízes com fibra de coco e vá dando voltas no barbante ao redor da árvore. A cada volta envolva uma haste diferente. A muda deve ficar firme mas com delicadeza, evite apertá-la demais. Com o tempo as raízes estarão bem agarradas ao tronco e então você deve retirar o barbante.

Agora é só acompanhar o desenvolvimento da sua muda. Ela irá crescer e se multiplicar, sua árvore estará a cada ano mais florida. Fique atento aos sinais de pragas e doenças, mesmo na árvore é preciso e possível cuidar da sua orquídea.

Quem vive em apartamentos pode plantar suas orquídeas nas árvores do condomínio ou da calçada. É ainda mais prazeroso compartilhar a beleza de sua muda com a vizinhança. Você faz sua orquídea e comunidade mais felizes!

 

5 motivos para consumir orgânicos

 

  • Nossa saúde

Consumir produtos mais naturais e saudáveis nunca foi tão divulgado como tem sido nos últimos anos. Costumamos andar no piloto automático e mesmo tendo muitas informações em redes sociais e mídias dificilmente paramos para pensar em detalhes importantes. Até que ponto consumir mais frutas e verduras se torna realmente mais saudável? Nós que somos produtores agrícolas, aliás muito mais que isso, nós trabalhamos com produção de manejo orgânico, conseguimos enxergar isso desde a raiz literalmente rs. E nós precisamos ser ouvidos. Pois estamos na lida dia-a-dia e vemos como aquele produto foi produzido.

A consciência de que o que se coloca no solo é absorvido pelos vegetais e frutas ainda está numa fatia pequena da população. Para quem já despertou para isso Parabéns! Mas para quem ainda não se deu conta não tem problema, o importante é começar a abrir o olhar e se conscientizar na hora de comprar um produto para colocar na sua mesa.

O fato é, ao produzir de forma orgânica nós nos utilizamos de microrganismos naturais (que já existem em nosso organismo inclusive), matéria orgânica REAL, nos abstemos de químicos e sintéticos. E quando digo químico e sintéticos peço que faça uma comparação com bombas e suplementos tomados por quem pratica atividade física. A pessoa força uma situação que não é próprio do seu organismo.

Na produção convencional funciona assim, são inseridos itens para forçar que aquele produto cresça mais rápido e com isso perca muitas de suas características biológicas verdadeiras. Além de produzir produtos que chegam a absorver até 85% (referente à sua massa) de produtos químicos. E para onde vai tudo isso? Para nosso organismo, nossos filhos, para nossa mesa.

Consumir produtos orgânicos (orgânico significa “vida, organismo. Derivado de organismos vivos ou neles ocorrente”) significa consumir o que é REAL. Portanto, não adianta consumir mais frutas e legumes convencionais e ingerir mais agrotóxicos. Alimentar-se de forma realmente natural é PENSAR DE ONDE VEM SEU ALIMENTO.

  • Preservação ambiental

Produzir de forma orgânica significa respeitar o meio ambiente. A fauna, a flora, todos os insetos, incentivar a diversidade climática, a proliferação de microrganismos, plantar árvores, ver abelhas, besouros, borboletas, cheiro, umidade, sol, sombra, água da chuva. Cultivar o solo com a inteligência de uma Floresta. A Floresta se sustenta sozinha, não é mesmo? Por quê? Lá em vida, tem respeito com o ecossistema.

Basicamente produzir orgânicos é se utilizar a inteligência que já está aí há milhões de anos , em nossas vistas o tempo todo mas como sempre estamos no piloto automático e não enxergamos, apenas vemos.

E se precisamos de algum subsídio para espantar alguma praga, nos utilizamos de soluções naturais, vindas da natureza. E as pragas por aqui nem sempre são um problema muito grande, pois aqui trabalhamos o solo para que a planta já cresça fortalecida o suficiente (como nós quando nos alimentamos adequadamente e pegamos um resfriado) para quando a praga vier ela estará mais forte para combatê-la.

 

  • Voltamos ao ciclo natural da vida, respeitamos o tempo e espaço de cada planta

 

Assim como nós temos nosso tempo de “maturação” e aprendizado. Nascemos bebês , aprendemos a nos alimentar com sólidos e vamos nos desenvolvendo no decorrer dos anos. Não adianta você querer que seu filho de 7 anos compreenda tudo o que você com 35 já sabe. É impossível. Na natureza é a mesma coisa. Cada vegetal tem sua época específica de vida, tem épocas que ele não nasce, tem épocas que temos para “dar e vender” como dizem. Cada planta nasce dentro do seu ciclo de vida, não forçamos que cresça mais rápido (com químicos) e nem a deixamos sozinha. Ela tem seu solo rico em microrganismos, tem seus polinizadores, tem vento. VIDA. O homem começou a se esquecer disso quando iniciou a devastação da diversidade Florestal para começar as monoculturas (por volta 1700) na Era das Grandes Embarcaçoes e da Colonização. Por isso reforço aqui mais uma vez, vamos ENXERGAR e não só OLHAR.

  • Policultura

 

Já pegando o gancho do último item, um fato importante é a Policultura. Uma espécie também depende de outras na hora do seu crescimento (assim como o organismo Floresta) assim como a policultura ela enriquece ainda mais o solo.

E o fato mais importante aqui é que num mesmo espaço de terra conseguimos plantar muito mais variedades ao mesmo tempo do que uma produção convencional. Assim, muitas plantas podem nascer em conjunto aumentado a variedade na oferta dos produtos numa mesma época.

  • Lei da oferta e da procura- desmistificando a produção orgânica

 

E aqui entra um item muito importante. Para aumentar nossa margem de produtos orgânicos, precisamos da procura. Quanto maior a procura, maior o interesse em produtores se transformarem em orgânicos. Temos dados muito pequenos ainda para mostrar. No Brasil temos 12 000 produtores pequenos de orgânicos, mas isso represento menos de 1% da fatia agrícola do país. Nós da FAZENDA MARIA lutamos por mudar isso. E você que está lendo esse artigo também pode ajudar. COMO? Incentivando seus amigos a consumir mais orgânicos.

Obrigada!

Qualquer dúvida é só mandar um email: deborah@fazendamaria.com.br

Bjos

Multiplicando Espécies

Aqui na Fazenda temos algumas formas de multiplicar espécies mais delicadas e com sementes difíceis de se encontrar no mercado brasileiro.

O método mais lindo e mais prazeroso é quando esperamos as espécies se polinizarem e gerarem os seus frutos. Aqui na empresa temos muitos fatores que nos proporcionam essa dádiva da natureza.

Primeiro que nossa produção é orgânica e por natureza isso já atrai muitos  polinizadores, principalmente as abelhinhas. Aqui temos muitas!!! Pássaros, grilos, joaninhas, borboletas, o vento…… Numa produção convencional esse processo de polinização praticamente não acontece, pois os pesticidas e químicos acabam espantando esses bichinhos que são fundamentais no ecossistema.

Como a natureza vive em harmonia, a chance do ciclo botânico  finalizar é muito grande. Por isso conseguimos colher as sementes (que são os frutos) de flores, ervas e até de alfaces.

E essas sementes são ainda mais propensas à germinação, uma vez que foram geradas de plantas que “deram certo” no bioma local e a chance de vingarem é muito maior.

Outra forma de multiplicar é a estarquia, que é quando colhemos um ramo ou folha da planta para enraizarmos na água e depois passarmos para a terra já com a raiz formada.

E tem também um outro  processo que é a Alporquia, um pouco menos utilizado aqui mas necessário algumas vezes.

   Na época das grandes embarcações e a difusão das espécies

 

As ervas aromáticas remontam muitos séculos. Na época das embarcações elas foram sendo levadas de um continente a outro assim como várias espécies botânicas. Temos um erro muito grande ao acreditar que tudo o que vemos num país é originário de lá. E esse é um dos fatores nos quais podemos afirmar que 90% das espécies que consumimos hoje são híbridas e não mais nativas, afinal foram muitas trocas de espécies pelo mundo.

O Brasil mesmo que possui um clima tropical e uma cartela enorme de frutas têm pelo menos 20 delas que não são originárias daqui, como a banana (Sudeste asiático), a laranja (Ásia), a maçã (Ásia) e o caqui (também da Ásia).

No início foram criados grandes jardins medicinais com o que se encontrava e utilizavam as espécies com o intuito de ajudar toda a população. Posteriormente foram surgindo os jardins Botânicos, com o intuito de preservar espécies nativas e também “descobertas” preciosas e exóticas.

Temos que nos atentar para alguns cuidados ao usar as ervas como medicinais e em quantidades indevidas na alimentação, pois algumas ervas podem não fazer bem à pessoas com determinados problemas. Por exemplo: o alecrim em excesso não é ideal ser consumido por pessoas com pressão alta. A camomila também pode gerar processo alérgico a quem tem uma pré-disposição de alergia ao pólen. Por isso, mesmo com o advento dos remédios químicos ainda precisamos ter cautela quando falamos de remédios de ervas. Ainda têm muitos que se utilizam da medicina caseira e não se dão conta de alguns distúrbios que podem ser provocados no organismo por dosagem errada. Não é à toa que já em 500 A.C. já existiam espécies de plantas usadas como remédios. Por isso, não é brincadeira.

Muitas espécies tiveram também sua exploração indevida e correm o risco de extinção, como é o caso do Sândalo (valioso pelas suas propriedades calmantes e antibacterianas) e o palmito Jussara (nativo da nossa Mata Atlântica e saborosíssimo), que hoje está com sério risco.

A natureza nos oferece muita riqueza, mas precisamos saber explorá-las com cautela e pensar sim em nossa preservação mundial das espécies.Cada planta é um tesouro que nos foi dado e elas são responsáveis pelo nosso tão estimado oxigênio.

A Primavera

 

 

Está chegando a estação das flores. Estação linda e sem dúvida muito mais florida. Como as flores gostam dessa época do ano. Gostam tanto que já começam a anunciar a estação antes mesmo dela chegar de fato.  Não temos muitas chuvas e nem o calor e o frio são fortes. Temperaturas amenas e propícias às nossas lindas flores.

Falando como produtora, como alguém que vivencia as flores comestíveis de perto, lá na Fazenda Maria todo ano nessa época começo ver como nunca as flores de mostarda, de coentro e as da rúcula.

As calêndulas também ficam esplendorosas, amarelas, vibrantes. As lavandas criam um mar de perfume e cor. As cravinas também nos presenteiam com suas cores vivas, avermelhadas e lilás com um sutil e significante fundo branco, que só faz exaltar a sua cor.

As flores do manjericão já são mais acostumadas a aparecer o ano todo, mas ajudam a complementar a paisagem aromática e atrair cada vez mais as abelhas. Abelhas essas que fazem uma linda dança entre os manjericões e as flores.

A capuchinha por ser uma flor de inverno ainda se sustenta com os resquícios dele. Mas sabemos que assim que a primavera se despedir já não a teremos mais entre nós.

Os Ypês também, mostram-se com suas flores. E flores comestíveis. Encontramos  flores amarelas, brancas, rosas e roxas. Uma árvore tão ornamental, mas que também produz flores saborosíssimas.

A natureza tão perfeita com sua magnitude e transparência, sabe nos presentear com tantas cores e vida. E olhando as flores não nos damos conta muitas vezes que elas estão ali para proteger o ovário da planta e atrair com seus aromas e cores os insetos polinizadores, pois sua “intenção” na verdade é proliferar sua espécie e gerar o seu fruto.

Em homenagem à essa estação convido-os a participar da minha palestra que vai acontecer dia 21-out em São Paulo no Clube Hebraica. Teremos degustação das flores e muita desmistificação sobre seus usos culinários. Para mais informações enviar email para deborah@fazendamaria.com.br ou por wats 11-97051 9042.

Seja Bem-Vinda Primavera!

Deborah na Fazenda @deborahnafazenda

Cenoura e sua Rama

 

 

A cenoura é uma leguminosa muito conhecida. Hoje encontramos ela em diversas cores, roxa, branca, vermelha. É um dos vegetais mais consumidos no mundo, pois cresecem de forma relativamente fácil e também são muito versáteis.  Ela é rica em vitamina A, C, possui o betacaroteno e muita fibra. Além de ser crocante e doce, fazendo sucesso entre adultos e crianças.

Mas o universo da cenoura não acaba aí. Podemos pensar na cenoura um pouco mais acima: as RAMAS. Sim as ramas são comestíveis e super saborosas. E ainda podemos subir mais: suas flores. Porque o objetivo de toda planta é gerar “seus descendentes”, por isso surgem as flores e consequentemente as sementes para a propagação da sua espécie. E hoje vamos te ensinar aqui como  apreciar as flores que tem gosto de……. cenoura.

Seguem algumas dicas de como usar as ramas e a flor da cenoura:

 

  • Dica 1-

2 maços de rama de cenoura

2 dentes de alho

2 colheres de azeite

10 flores de cenoura

Sal a gosto

 

Refogar o alho e o azeite e jogar as ramas, deixar abafar. Enfeitar com 10 flores de cenoura e servir.

 

  • Dica 2-

100 g de rama de cenoura

1 xícara de arroz integral

Alho

Azeite

Sal a gosto

Cozinhar o arroz, e assim que estiver pronto desligar o fogo e jogar as ramas da cenoura picadinhas como salsinha, misturar com o arroz e deixar descansar por 5 min. Servir.

 

  • Dica 3- a mais fácil de todas!

Usar as ramas misturadas na salada.

Trecho do livro “Agroflorestando o Mundo” que relata bem como surgiu o conceito da Agrofloresta.

 

Autores:

Nelson Eduardo Corrêa Neto, Namastê Maranhão Messerschmidt, Walter Steenbock ,Priscila Facina Monnerat

“ O Início, o Fim e o Reinício do Mundo”

No ano de 1.500, quando os navios portugueses desembarcaram no Brasil, encontraram povos que se sentiam e agiam como integrantes da natureza. Reconheciam a sacralidade do mundo e a essencialidade da floresta com todos os seus seres e espíritos para desfrutarem de um ambiente farto e adequado à vida.

Plantavam e lidavam com o ambiente pensando no bem – estar de toda a vida, incluindo os animais que criavam em liberdade e dos quais se alimentavam. Sua agropecuária era tão integrada aos processos naturais, que os portugueses não puderam perceber que a faziam. Por isto, na primeira carta enviada ao Rei de Portugal, Pero Vaz Caminha afirmou que eles não cultivavam plantas e nem criavam animais. Mesmo assim destacou que um dos alimentos que mais consumiam era “esta mandioca, que por todo o canto há”.

No entanto, esta planta obtida pelos indígenas através de processos seculares, jamais seria presente, sem as práticas agroflorestais dos povos indígenas. Como já sabiam os povos que habitavam a América em 1500 e como confirmam os mais avançados estudos ecológicos, o funcionamento da natureza é orgânico em todos os seus níveis de organização. A organicidade está presente nas organelas dos microorganismos individuais que chamamos de células.

Por sua vez, as células se organizam em tecidos e órgãos e, junto com demais microorganismos que compõem o ecossistema corpo, geram o meio ambiente corporal adequado à vida de todos. Em níveis de organização superiores, os vegetais, animais e microorganismos manifestam a sagrada organicidade da vida nos ecossistemas, biomas, na biosfera e no Organismo Planeta Terra.

Através deste sistema incrivelmente cooperativo, são mantidas todas as condições para que possamos bem viver, como o ciclo das chuvas, o clima e a composição exata da atmosfera. Portanto, a ideia de basear a sociedade e a agricultura no oposto da cooperação, ou seja, na competição e dominação da natureza e de outros seres humanos, é totalmente anti-natural e portanto anticientífica. No entanto, é ainda mais dominante atualmente do que no ano de 1.500.

Em conseqüência, todas as desgraças que se sucedem à expulsão da vida das florestas e das gentes dos campos, anunciadas na fala do povo Yanomani, estão acontecendo globalmente no planeta Terra. Ao mesmo tempo, ocorre grande sofrimento humano, também decorrente do império da competição ter se estabelecido como regra nas relações humanas. “

 

Vamos refletir. O que queremos para o nosso futuro?

 

Equipe Fazenda Maria