PANCS

Plantas Alimentícias Não Convencionais. Ouvimos falar tanto nessa nomenclatura, mas nem sempre é realmente compreendida como deveria. O termo PANC surgiu só em 2007 e diz respeito àquelas plantas que não imaginamos que podemos comer, como as folhas do Hibisco, às flores tidas apenas como ornamentais como as Camélias e Ypês e aos famosos matos que são considerados plantas daninhas para a produção convencional agrícola, e que para produtores orgânicos significam muito mais que isso. Dentre esses matos citamos as beldroegas, trevos, serralha, o caruru. E quando digo que significam muito mais que isso quero dizer que o crescimento espontâneo (sim, a maioria das Pancs é de crescimento espontâneo) significa baixo custo na produção de algo que tem muitas vitaminas e ainda pode ser misturado às preparações, ou então pode caracterizar deficiência ou excesso de nutrientes no solo ou simplesmente ajuda numa adubação verde natural durante o pousio dos canteiros.

As ervas aromáticas não são Pancs, mas suas flores são consideradas, pois não se tem o hábito de consumí-las. Assim como a flor da mostarda e a da rúcula, embora a rúcula e a mostarda não sejam.

Estima-se que existam no mundo  mais de 300 000 espécies de plantas com partes de comer, mas 90% da alimentação do mundo tem como base apenas 20 espécies. Nos últimos 10 anos , os transgênicos ocupam mais de 90 % da produção agrícola mundial, uma estatística que chega a ser desanimadora , mas nós como produtores lutamos por levar informação e conscientização aos consumidores.

O Brasil é muito rico em biodiversidade, chegamos a ter 25% da biodiversidade total do mundo. Mas isso é pouquíssimo explorado, pois ainda importamos muitas coisas que poderiam ser cultivadas e consumidas aqui. Um exemplo que costumo citar em minhas palestras são as geleias. Temos muito frutos amazônicos que poderiam dar geleias deliciosas e extremamente comercializáveis, como o cupuaçu, o umbu, o pequi. Temos também algumas espécies de maracujás espontâneos que poderiam ser usados como farinha para algumas preparações e compotas através do mesocarpo.

O Brasil possui 3 000 espécies catalogadas com potencial alimentício, quando na verdade não utilizamos sequer 1/3 dessa quantidade.

Por isso continuo batendo na tecla da Oferta e Procura, se pararmos para analisar há 5 anos atrás não encontrávamos nem ¼ de produtos orgânicos nas gôndolas e graças a procura maior e constante a oferta também aumentou.

Sei que temos muitos empecilhos como falta de incentivo, falta de informação dos rurais,  e existe também o receio e medo de produtores em saber a real aceitação no mercado desses nativos. Temos um longo caminho a percorrer, o trabalho é de formiga, mas até onde puder estaremos lutando por essa mudança. Contamos com a ajuda de cada um aqui.

Um abraço

 

2 comentários sobre “PANCS

  1. CLAUDIA DE FREITAS ALVES disse:

    amei o texto. tenho ouvido falar muito em panc e tenho cada vez mais ficado curiosa com o tema. muito obrigada por escrever sobre o assunto.

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